← Voltar para artigos

Oito pregões seguidos de queda: o que essa sequência ensina sobre o seu próprio nervo

Se você abriu o home broker nos últimos dias e sentiu o estômago embrulhar, saiba que não foi só impressão. Foi uma semana difícil de verdade — e ela serve como estudo de caso sobre como reagimos (ou deveríamos reagir) à volatilidade.

O que aconteceu

No dia 5 de agosto, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano — o quarto corte consecutivo do ciclo. A decisão foi unânime, mas o comunicado veio cauteloso, sem sinalizar claramente os próximos passos (CNN Brasil). O mercado não gostou da ambiguidade: no pregão seguinte, o Ibovespa já caiu 1,23% (InfoMoney).

Daí em diante, a coisa só piorou — e persiste até agora. No dia 11, o índice derreteu mais de 2,5%, ao pior nível desde janeiro, com o dólar disparando a R$ 5,16, puxado por pesquisa eleitoral mostrando Lula ampliando vantagem sobre Flávio Bolsonaro e por IPCA de julho acima do esperado, reacendendo dúvida sobre o ritmo de novos cortes de juros (Money Times). A bolsa não conseguiu se recuperar dali: fechou o pregão de 13/08 na oitava sessão consecutiva de perdas, aos 167.100 pontos, com o dólar em sua quarta alta seguida, a R$ 5,19 (InfoMoney). Aos motivos eleitorais e de inflação se somaram agora balanços do 2º trimestre decepcionantes — com destaques negativos como Hapvida (-33% num único pregão) e Banco do Brasil (-4,2%) — e o discurso fiscal dos pré-candidatos à Presidência pesando no humor do investidor, mesmo com Wall Street batendo recorde no mesmo período (InfoMoney).

Vale lembrar: em fevereiro deste mesmo ano, o Ibovespa vinha batendo recorde atrás de recorde — 13 recordes de fechamento até final de fevereiro, algo que só reforça o quanto o mercado brasileiro pode alternar entre euforia e pânico em poucos meses (Suno). ** O que isso ensina**

Ano eleitoral turbina três coisas ao mesmo tempo: ruído político, sensibilidade do câmbio e nervosismo do investidor estrangeiro. Isso não é novidade — já vimos esse filme em outros ciclos eleitorais brasileiros. O que muda é a nossa reação individual.

O erro mais comum que vejo nesses momentos é o investidor confundir volatilidade com perda permanente. Quem resolve vender no meio de uma sequência como essa trava um prejuízo que, historicamente, boa parte é recuperada com o tempo — e ainda abre mão de reentrar num preço melhor. Viés de recência (achar que oito pregões de queda seguidos vão virar tendência para sempre) e aversão à perda (doer mais ver o patrimônio cair do que dá prazer vê-lo subir na mesma proporção) são os dois vieses que mais sabotam carteira nessa fase do ano.

Na prática, isso não significa ignorar o cenário — significa não decidir no calor da notícia. Aproveito semanas assim para revisar alocação com meus clientes: conferir se a exposição a renda variável e ao câmbio ainda está compatível com o perfil de risco de cada um, e se faz sentido rebalancear para o fechamento do mês. Não é hora de aposta, é hora de disciplina.

Nenhuma decisão de investimento deve se basear em previsão de rentabilidade — nem eu, nem ninguém, garante retorno. Mas gestão de risco e cabeça fria, isso sim, é possível controlar.

Se quiser revisar sua carteira à luz dessa semana, me chama.